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ESPECTROFAGIA


Ana Alice 
David Ceccon 
Eduardo Montelli 
Felipa Queiroz 
Henrique Fagundes
Rafaela Giacomelli
“A espectrofagia nos une. É preciso devorar nossos duplos. Mastigar fantasmas, assombrações, gêmeos digitais. Engolir promessas, fracassos, presentes, passados, futuros. O espírito recusa-se a conceber o espírito sem corpo. A imagem encarna. Projeção, enquadramento, montagem, publicação. Uma câmera, uma prótese. Além do olho e do sonho. Uma tela, uma boca, um estômago. Aparelhos digestivos de expansão da realidade, de fluxos de liberdade, de circulação nas dimensões do suprassensível. Técnica e magia. Perspectivas predadoras. Caçar, comer, incorporar. O Outro. O ritual da plasticidade destrutiva. A mutação imprevisível. Só não há determinismo onde há mistério.”

"Espectrofagia" é uma proposta do artista Eduardo Montelli, que convidou Ana Alice, David Ceccon, Felipa Queiroz, Henrique Fagundes e Rafaela Giacomelli para pensarem uma exposição que dialogasse com as ideias que o filósofo Serge Margel elabora no texto "É preciso comer o seu duplo". Aqui, apresentam diferentes experimentações "espectrofágicas" que dão forma a processos particulares de devoração e digestão de imaginários e de acontecimentos vividos em uma sociedade habitada por legiões de fantasmagorias estéticas e políticas.












 


Informações sobre as obras em ordem de aparição:
"Ideia", David Ceccon, 2021
Trabalho multiforme que se desenvolve ao longo de 3 meses em navegador de internet.


"Poder macio", Eduardo Montelli, 2020-2021
Composição com vídeo "Chiclete" e imagens que mostram um processo de tradução do poema "껌", do poeta coreano Kim Ki-taek. A modelagem 3D e a declamação do poema em coreano foram aprendizagens online realizadas pelo artista durante o período de isolamento social de 2020 e 2021.


"Superfície", Ana Alice, 2021
Série com vinte e oito gifs animados.
Como desfazermo-nos de nós mesmos, e como nos desfazermos? Superfície evidencia uma escolha por materiais moles, onde não se tem acesso a um solidíssimo: trabalhar na amassadura, na fascinação tátil onde não posso mais deter o processo de apropriação. Ele continua. A imagem enquanto matéria aglomerada num determinado espaço-tempo plano leva à transformação das coisas, leva a sublimar a matéria mediante a matéria, e pergunta sobre o desejo de desindividuar-se ou diluir-se como lama, numa massa mole demais, mas que ganha consistência com o tempo. A conjunção se dá na superfície do chroma-key, onde ações de re-estruturação ganham corpo através da repetição. Em vez de vomitar a si mesmo, se engole e ovula: não se inventa, se gesta. Isso leva a ideia de antropofagia por outra via, numa criação que é fruto do que a penetrou.


"New flesh", Felipa Queiroz, 2021
Série de fotografias digitais manipuladas em aplicativos de inteligência artificial e edição de imagem.


"Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração", Rafaela Giacomelli, 2020
Curta-metragem, Terror, 15 min. Sinopse: Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração é um curta-metragem que procura tensionar a finitude humana ao sentir. O filme apresenta o universo da personagem, que entre sua fragilidade e solidão, relaciona-se com a presença da morte em seu cotidiano.


Observados por Máquinas de Adorável Graça”, Henrique Fagundes, 2021
Série de renderizações e animações 3D baseadas no poema Tudo Observado por Máquinas de Adorável Graça, de Richard Brautigan, onde faço o exercício entre o distópico e utópico de me imaginar e imaginar minha família em um cenário futurístico.


"Autorretrato", David Ceccon, 2021
Trabalho multiforme que se desenvolve ao longo de 3 meses em navegador de internet.